quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Palestina e Cisjordânia: Ramallah, Jericó, Rio Jordão e Belém


Há muito que quero conhecer a Palestina e a Cisjordânia. A Faixa de Gaza é outro dos meus objetivos, mas atualmente a entrada neste território está vetada a turistas.
Desde pequeno que me lembro das notícias de confrontos entre israelitas e palestinianos e do conflito político que caracteriza esta região. Foram muitos os telejornais que abriram com imagens de ataques perpetuados por ambas as partes. Paralelamente a estes acontecimentos, temos locais recheados de história, povos simpáticos e belas paisagens para serem descobertos. Poderá não ser o local mais fácil para viajar, mas o esforço valerá a pena. Por isso, tão importante quanto visitar, é sentir essa tensão e partilhar o quotidiano dos seus protagonistas.
Como o tempo é escasso, optei por uma tour ao melhor de West Bank: Ramallah, Jericó, Rio Jordão e Belém.

A área correspondente à Palestina até 1948 encontra-se hoje dividida em várias partes: Israel, Jordânia, Cisjordânia e Faixa de Gaza.
Em 1947, as Nações Unidas, previa a criação de dois Estados independentes: Israel e Palestina. No entanto os árabes não aceitaram e declararam guerra a Israel.
A Cisjordânia é uma área delimitada a leste pelo Rio Jordão e pelo Mar Morto, e a oeste, pela Linha Verde – delimitação estabelecida no Armistício Israelo-Árabe de 1949.
Com exceção de Jerusalém Oriental, a Cisjordânia não foi formalmente anexada por Israel, e por isso, legalmente não pertence a nenhum Estado. Deste modo, à semelhança da Faixa de Gaza, governada pelo Hamas, aguarda uma resolução definitiva do seu estatuto nas rondas negociais entre israelitas e palestinianos (quando as há!). Há alguns anos, várias porções dispersas dessas áreas foram oferecidas por Israel e passaram a ser administradas pela Autoridade da Palestina, mas Israel mantém o controlo das fronteiras.
Devido aos ataques violentos que aqui acontecem, esses territórios bem como a sua população estão sob constante ameaça. Várias organizações pró-Palestina dão o seu contributo na revelação de alguns ataques, que consideram prevaricar os direitos humanos.
Por sua vez, Israel construiu um muro de segurança com cerca de 700 km de extensão que tem vindo a reduzir significativamente “os ataques com homens-bomba vindos da Cisjordânia” contra a sua população.

Para não variar, o dia começou cedo e sem pequeno-almoço!
Alguns km após deixar Jerusalém, passamos o primeiro checkpoint controlado pelo exército israelita. A partir daqui não podem entrar israelitas nem sair palestinianos. Estes controlos por vezes, e dependendo das cidades, podem ser bastantes demorados. Não foi o caso de hoje.
Já em território palestiniano parámos para dar boleia ao nosso guia!
“Bem-vindos ao território do terrorismo! Vocês foram oficialmente raptados por mim. Vou obrigar-vos a comer, ver, ouvir e fazer coisas que não querem!”
Foi assim que Tamer, o nosso guia, se apresentou. Além de guia é também ativista pró-Palestina.
O muro, o nevoeiro e a chuva seguiram-nos até à nossa primeira paragem, Ramallah.
Ramallah é uma cidade montanhosa situada a cerca de 15 km a norte de Jerusalém. É a sede da Autoridade Nacional da Palestina e também de várias ONG’s e embaixadas internacionais. Vários investimentos financeiros têm impulsionado a sua economia, principalmente após o final da Segunda Intifada, em 2005.
Após uma caminhada pelas ruas antigas da cidade, parámos para beber alguma coisa quente num café conhecido do Tamer, onde aproveitei para saber como é o quotidiano e a qualidade de vida da cidade. De acordo com alguns estudos mais de dois terços dos palestinianos dispõem de menos de 2 dólares por dia para sobreviver. De seguida visitámos o túmulo de Yasser Arafat, o líder carismático da Autoridade Palestiniana.
A viagem continuou nas estradas montanhosas e por vezes sinuosas a caminho de Jericó, sempre com a companhia visual do muro ou do arame farpado.
Constantemente atento ao seu telemóvel, não fosse algum conflito despontar e obrigar a alguma mudança de percurso ou até mesmo ao regresso a Jerusalém, o Tamer lá nos ia contando a sua versão do conflito. Quase todos os dias se registam confrontos. A normalidade é essa! De tiroteios e manifestações, a ataques individuais e retaliações. Ainda hoje, diz-nos, em Hebrom foi morto um militar israelita e por isso a cidade está interdita. Mais tarde informa-nos que afinal foi outro soldado israelita que o matou por engano!
A meio da manhã chegámos a Jericó. Esta antiga cidade bíblica é considerada a cidade mais antiga do mundo, com mais de 10000 anos. A “Cidade das Palmeiras” como é conhecida situa-se nas margens do Rio Jordão. É considerada como o lugar do retorno dos israelitas da escravidão no Egipto, liderados por Josué, o sucessor de Moisés.
Atualmente é uma das cidades que se encontra cercada por um fosso que, à semelhança dos checkpoints, impedem a entrada ou a saída da cidade.
Depois da visita às ruínas de Tell es-Sultan subimos ao Monte das Tentações, local onde Jesus terá sido tentado pelo demónio com a escolha entre o poder sobre as nações e a obediência aos planos de Deus. Lá em cima conheci um grupo de nigerianos com quem troquei impressões e falámos sobre a realidade atual do país devido aos ataques do «Boko Haram». Além do belo mosteiro pode-se contemplar uma vista desafogada da cidade.
Antes mesmo de abandonar a cidade, fizemos duas curtas paragens. A primeira junto à figueira na qual, de acordo com a Bíblia, Zaqueu, um responsável pela coleta de impostos em Jericó, trepou para ver Jesus passar e junto da qual Este terá pedido para visitar a sua casa, e a segunda junto ao mercado onde Tamer nos deu a provar as famosas tâmaras e bananas locais.
Em seguida seguimos viagem até a Qasr el Yahud, nas margens do Rio Jordão. Foi aqui que Jesus terá sido batizado por João Baptista. Este local reabriu em 2011 após 44 anos de encerramento, desde a Guerra dos 6 Dias. Está ladeado por um campo de minas.
Poder molhar-me nesta águas que fazem parte da história, é uma sensação muito especial. Vale a pena observar os rituais de batismo que aqui se realizam por pessoas de todos os cantos.
Próxima e última paragem: Belém, cidade palestiniana localizada na parte central da Cisjordânia, próxima aos campos de refugiados de Aida e Azza.
Belém é para a maioria dos cristãos o local onde nasceu Jesus de Nazaré. É também a cidade natal do Rei Davi e o local onde foi coroado rei de Israel.
Atualmente, Belém é uma cidade estrangulada pelo muro de segurança israelita. De facto, Belém é uma cidade muito diferente daquilo que os postais de Natal tendem a reproduzir, porque está cercada em três direções por uma barreira que, em determinados pontos, chega aos 8 metros de altura.
Ainda ontem se registaram violentos confrontos numa das avenidas da cidade.
Caminhamos até à praça central, junto à Igreja da Natividade, onde desfrutei de um almoço típico palestiniano. De seguida, foi-nos apresentado o guia que nos ia levar à igreja. Com os seus 60 e tal anos, este palestiniano aprendeu sem ajuda a falar inglês e alemão. Diz-nos com orgulho, que a primeira vez que saiu da Palestina foi o ano passado, quando se deslocou à Alemanha para realizar um curso que comprova a sua habilitação para o alemão. O espanhol será a próxima.
O interior da Igreja da Natividade é relativamente simples, com uma iluminação escassa, provida de candelabros. O ponto alto da visita à Igreja é a Gruta da Natividade, onde o local exato do nascimento de Jesus é marcado por uma estrela de prata de 14 pontas. Aqui os fiéis ajoelham-se e tocam na estrela enquanto proclamam orações.
No final da visita, alguém do grupo perguntou ao guia se sabia falar em aramaico, a língua falada por Jesus. Respondeu que sabia dizer algumas coisas, mas não sabia escrever. Presenteou-nos com a oração do “Pai Nosso” em aramaico, antes de se despedir.
Já a noite esbarrava no dia, quando nos dirigimos a uma parte do muro de segurança onde o Tamer nos incentivou a escrever o que quiséssemos. Nesta parte específica do muro, são comuns os conflitos entre israelitas e palestinianos. Enquanto percorria e tocava na barreira de cimento ao longo da rua, um soldado espreitou prontamente da torre de vigia com a metralhadora apontada a mim! O nervosismo mata, pensei eu! Com a chuva a cumprimentar as roupas, desfiz a curva e assinei o meu nome para mais tarde recordar.

Antes do regresso a Jerusalém, o Tamer levou-nos a provar os deliciosos knafeh, um doce típico desta zona.
Com o convite para regressar com tempo, parto de volta ao hostel em Jerusalém, onde a mochila espera carregada de histórias.
Às 21h lá apanho o autocarro rumo a Haifa, no norte de Israel.

domingo, 8 de novembro de 2015

Masada, Ein Gedi e Mar Morto

2h30min: o dia começou! Enquanto o quarto dormia, lancei-me ao ortostatismo, preparei as trochas para o dia e dirigi-me para a entrada do hostel onde aguardei pelo mini-autocarro. Sempre a descer, uma vez que rumámos ao ponto mais baixo do planeta (Mar Morto), o autocarro chegou a Masada pelas 4h30min.
Masada é uma fortaleza situada no topo de uma montanha no Deserto da Judeia, muito perto do Mar Morto. É património mundial desde 2001 e reza a história que depois dos romanos conquistarem Jerusalém, no ano 70 DC, quase 100 israelitas - homens, mulheres e crianças - fizeram uma última e desesperada tentativa de resistência nesta fortaleza. A resistência terá durado cerca de 2 anos (?), mas no dia em que os romanos conseguiram alcançar o topo da montanha só encontraram silêncio. Os resistentes israelitas preferiam a morte à rendição, cometendo suicídio. "Nunca nos apanharão vivos"!
Após uma árdua subida pelo caminho da serpente, que demorou cerca de 45 minutos, alcançamos o topo da montanha, onde importantes achados arqueológicos estão a ser revelados. De lá podemos contemplar o nascer do sol sobre o Mar Morto e o deserto árido da Judeia. Quase se pode ouvir o sol a rasgar a escuridão tal é o silêncio que nos envolve. O dia abre-se e conseguimos ver ao longe a Jordânia!
Próxima paragem: Eid Gedi, considerado um dos mais belos oásis em Israel, terá mais de 5000 anos de história. Referido na Bíblia pelo menos duas vezes, é composto por piscinas naturais de água fresca, cascatas e vegetação típica da África de Este.
Por fim, o Mar Morto, o local mais baixo do planeta, 428 metros abaixo do nível do mar.
A concentração de sal do Mar Morto é cerca de 34%, dez vezes maior que nos oceanos.
Como 95% da água do Rio Jordão é usada para a agricultura em Israel, Jordânia, Síria e Líbano, o Mar Morto está a secar. Todos os anos a sua costa diminui cerca de 5 metros, resultando em massivos e perigosos buracos à superfície, que agora caracterizam a sua paisagem.
Foi chegar e ir directamente para a praia. Aqui o dificil é tentar ir ao fundo. Consegue-se boiar sem qualquer dificuldade, de pernas cruzadas, com os braços debaixo do pescoço como se estivéssemos na cama e até de barriga para baixo. É uma sensação espectacular. Desde pequenos que vemos as famosas imagens deste local, e poder estar aqui a desfrutar é sem dúvida especial. Com a lama que retirámos do fundo do mar, esfregámos o nosso corpo e deixamos que hidrate a pele. Apenas muito cuidado para não molhar os olhos ou a boca. Quando nos entra água para os olhos ficámos com um ardor brutal e não conseguimos abri-los. A sensação de engolir a água é a mesma que engolir um copo de água com um 1 kg de sal lá dentro!
Cerca das 12h30min regressámos a Jerusalém, horas antes de se dar inicio ao shabbat (dia de descanso do Judaísmo). Das 17h de sexta-feira até cerca das 15h de sábado, todos os serviços públicos param e quase todos os negócios fecham. É dia de estar com a família, rezar e descansar.
À noite inscrevi-me num jantar típico do shabbat que o hostel promoveu e quem quis ainda pôde ajudar na sua preparação. Seguiram-se as conversas, a música e os copos.
Amanhã sigo para a Palestina: Ramallah, Jericó e Belém.

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Jerusalém


Deitei-me com o intuito de me levantar cedo, mas foi impossível levantar os ossos antes das 9h! Ainda acordei com o Yakobe que gentilmente se despediu da malta antes de regressar a Moscovo, mas as cervejas da noite anterior não me deixaram levantar quando quis! Após tomar o pequeno-almoço e de me despedir do pessoal, apanhei o autocarro para a estação central de Tel Aviv, onde aguardei por um outro que me levaria a Jerusalém, uma das cidades mais antigas do mundo.
Jerusalém brindou-me com um vento desagradável e uns chuviscos! Sigo pela rua de Jaffa, uma das principais artérias da cidade, onde construções modernas antecedem a parte antiga da cidade. Percebe-se que é uma cidade historicamente sob tensão, em que se usa uma metralhadora como sendo uma peça de vestuário. É considerada sagrada pelo cristianismo, judaísmo e islamismo e disputada enquanto capital por Israel e pela Palestina. À medida que avanço pela rua fora observo pessoas a serem revistadas e lembro-me que ainda há 2 dias uma senhora morreu esfaqueada por um radical! Este sentimento de insegurança vai diminuindo à medida que se interioriza a normalidade de uma cidade com as características de Jerusalém.
Ainda tive que andar uns 20 minutos até chegar ao Abraham Hostel. Após o check-in dei início à descoberta da cidade santa, como é conhecida! Até à Cidade Antiga foram uns 20 minutos a caminhar! Contida dentro das antigas muralhas, é composta por labirintos de ruas seculares que formam vários bairros: o judeu, o cristão, o muçulmano e o arménio! Situada na Jerusalém Oriental e tratada pela comunidade internacional como um território palestino ocupado por Israel, é uma miscelânea de culturas num espaço confinado, mas é interessante a forma como coabitam!
Percorri a Via Dolorosa, considerado o percurso em que Jesus Cristo carregou a cruz até ao calvário. Inicia-se onde Pilatos condenou Jesus, passando pelos locais em que recebeu a cruz e foi chicoteado até à Igreja do Santo Sepulcro, onde se crê que foi crucificado, sepultado e de onde ressuscitou no Domingo de Páscoa. Acredite-se ou não, tenha-se mais ou menos fé, somos embalados pela nossa educação católica e imaginámo-nos nessa época!
À noite aproveitei para jantar no mercado Mahane Yehuda, um must see de Jerusalém. Como seria de esperar existe de tudo um pouco, desde especiarias e frutos secos a bares e restaurantes. Imperdível. Depois foi voltar ao hostel onde fiquei à conversa com o pessoal do quarto até decidirmos descansar, pois como habitual, os dias começam cedo!

Na quarta-feira, segundo dia em Jerusalém, cumpri com o prometido e levantei-me bastante cedo para poder visitar o máximo de sítios possíveis. Comecei pelo Muro das Lamentações, o local mais sagrado do judaísmo. Está dividido em duas áreas: uma maior para os homens e outra mais pequena para as mulheres. De seguida visitei o monte do Templo (Al-Haram ash-Sharif), que é um lugar sagrado para muçulmanos, cristãos e judeus, sendo um também um dos locais mais disputados do mundo. Lá encontram-se a Mesquita de Al-Aqsa e o Domo da Rocha, este último um dos edifícios mais fotografados do mundo. De acordo com a tradição judaica, foi aqui que Abraão preparou o sacrifício do seu filho. O islão acredita que foi aqui que o profeta Mohammed ascendeu ao céu.
À entrada fui barrado por um segurança com metralhadora que me informou que tinha de alugar uma peça de vestuário para tapar os joelhos, uma vez que estava de calções! 20 NIS (o equivalente a cerca de 4€) foi quanto me custou o aluguer, sendo que no final ainda tinha de devolver. Já no interior fui abordado por um muçulmano que me quis dar a conhecer um pouco do Islão. Estivemos à conversa por alguns minutos e no final ofereceu-me um livro sobre o Islão em português e quis saber como é viver em Portugal.
Como quem não quer a coisa saí por um dos portões de acesso sem devolver o "tapa pernas" por uma questão de orgulho português! E ainda bem que assim o fiz, pois viria a ser útil!
Dali palmilhei até à Cidade de David, as origens da cidade de Jerusalém! Lá podemos encontrar valiosos achados arqueológicos com mais de 3000 mil anos! A principal atração é o Túnel de Ezequias, escavado em rocha sólida e que conduzia a Fonte de Giom até à Piscina de Siloé. Com mais de 500 metros de distância e alguns de profundidade, é mencionado na Bíblia e descrito por peritos como uma das grandes proezas de engenharia da antiguidade. Melhor mesmo, é podermos percorrer o túnel! O aconselhável é levar roupa e calçado próprio, coisa que não fiz. A profundidade da água pode chegar aos 70 cm e a escuridão é total! Ainda bem que trago comigo uma mini lanterna à "corda" que comprei na Decathlon. Descalço e sempre a dar à corda à lanterna lá fui avançando pelo túnel! Escuridão total e apenas o barulho dos nossos pés na água! Espectacular! Uns 20 minutos depois cheguei ao fim, com umas cotoveladas nas rochas e os pés doridos do chão rochoso, mas com um "tapa pernas" para me secar! Afinal sempre deu jeito!
O regresso ainda pensei em fazê-lo pela parte árabe, mas fui desaconselhado por um segurança.
Com fome e sede, parei para dar uns golos de água e para comer o ovo que pus ao bolso no hostel! Alguns quilômetros depois, sempre a subir a pique, cheguei ao Monte das Oliveiras. De lá é possível obter uma vista espectacular da cidade bem como do cemitério judeu que acompanha a montanha! Agora é descer e voltar à Cidade Antiga, não sem antes visitar a Igreja de Todas as Nações, o Jardim de Getsêmani onde se acredita que Jesus e os seus discípulos tenham orado na noite anterior à sua crucificação e o Túmulo de Virgem Maria, um dos locais mais sagrados do cristianismo uma vez que se crê que foi aqui que foi enterrada.
Já dentro das muralhas da Cidade Antiga valeu a pena perder-me pelas ruas e mercados e ver o dia a ir-se sentado nos telhados do Bairro Judeu. No Bairro Muçulmano, o mais populoso, pude admirar as brincadeiras e o vai e vem das crianças, os afazeres dos vendedores e o entoar das orações vindas do alto das mesquitas!
Antes de me vender ao cansaço, tempo ainda para visitar a Torre de David (Citadela).
À noite voltei ao mercado Mahane Yehuda para jantar e olhar as gentes que por aqui passam.

Quinta-feira, terceiro dia na cidade. Aproveitei para dormir até mais tarde já que planeei apenas visitar Yad Vashem, o museu do holocausto. É um memorial para lembrar os cerca de 6 milhões de judeus mortos às mãos dos nazis. Situado no cimo do Monte Herzl, é um complexo com cerca de 18 hectares, em que podemos encontrar vários memoriais, como o memorial aos "Justos entre as Nações" que honram os não-judeus que ajudaram a salvar milhares de judeus durante o holocausto, e onde o nosso Aristides de Sousa Mendes está imortalizado.
Depois de visitar Auschwitz-Birkenau na Polónia e as praias do desembarque na Normandia, este tinha de ser o próximo.
O regresso ao hostel fez-se sob uma chuva fria e de lá apenas saí quando ouvi a polícia com altifalantes na rua a bloquear o trânsito.
Na paragem de autocarro estava um saco suspeito, pelo que a polícia mandou imediatamente afastar todos do local, evacuando mesmo alguns estabelecimentos. Após algum tempo de inspeção para as autoridades e de alguma expectativa para os que assistiam, não passou de um falso alarme. E tudo voltou à normalidade.
Ainda bem que vim ver, pensei, já que descobri um café com a comida mais barata que vi desde que cheguei a Jerusalém!
Tempo para fechar os olhos, pois por volta das 3h da madrugada sairei do hostel rumo a Masada para ver o nascer do sol, Ein Gedin e Mar Morto.



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

Rumo a Israel e Tel Aviv


Não vás! Tu és maluco! Mas vais sozinho? Estás a ser irresponsável! Ainda levas uma facada ou um tiro! O quê? Acho que não é a melhor altura para ires! Já viste como aquilo está? Miguel, pensa bem! Tu é que sabes, mas já te dei a minha opinião! O que queres que te diga? Mas porquê Israel?
É mais ou menos isto que teho ouvido nas últimas semanas!
Vim para poder escrever e contar mais uma história. A vida são 365 histórias por ano! Em cada história existem um sem número de personagens e de cenários, sendo impossível admirá-los a todos do mesmo modo! Mas se formos perspicazes conseguimos captar os momentos que nos definem enquanto pessoas! E as viagens trazem-nos isso, os momentos! Uma viagem não é ir! É estar! E é esse o objectivo com que faço as malas: aprender a estar! No fundo, temos saudades de estar onde nunca estivemos!

11h25min: Parto de Lisboa rumo a Istambul, onde farei escala, antes de aterrar em Tel Aviv.
Alguma turbulência depois, comecei a falar com uma senhora portuguesa que me partilhou partes da sua vida, ajudando assim a passar o tempo! Durante o voo pensei várias vezes em mudar o nome do blog para "ir custa um bocado", pois custou deixar a pequena Matilde, que com os seus ternurentos pontapés, tem contagiado a minha vida!
Cheguei a Istambul por volta das 18h15min , hora local. A espera faz-se numa sala comprida e não muito confortável com centenas e centenas de pessoas que esperam a sua vez para poder embarcar. Misturo-me na multidão onde se joga o "jogo dos países": Turquia, Azerbaijão, Cazaquistão, Irão, Bahreyn, Emiratos Árabes, Síria, Iraque, Israel, Senegal, Quénia, Nepal, Japão, Filipinas, Rússia, Coreia do Sul, China, Geórgia, Tunísia, Jordânia, Portugal, Inglaterra, Espanha, Alemanha, Itália, entre muitos outros! Uns para ir, outros para regressar!
Chega a minha vez de ir, e por volta das 00h50mim chego a Tel Aviv. No aeroporto Ben Gurion, considerado um dos mais seguros do mundo, submetem-nos a um pequeno inquérito no controlo fronteiriço. Querem saber o propósito da viagem, se conheço alguém no país, que cidades é que pretendo visitar, o nome do pai e até tive de prenunciar o meu nome. Depois foi levantar dinheiro e apanhar o comboio para a estação central (e assim poupar algum dinheiro), onde iria apanhar um taxi para o Jaffa Old Hostel!
Tal como combinado, o hostel deixou o número do quarto colado num vidro e assinalou a cama que viria a servir-me de aposento para as próximas duas noites. Após conversa com o único hospede acordado a estas horas, um belga que veio com o objectivo de estar com uma Israelita que conheceu num festival ds música à uns meses, vou descansar que amanhã o dia começa cedo!

Após umas horas mal dormidas, está na hora de levantar, tomar um banho e comer qualquer coisa.
Tel Aviv é uma cidade com pressa de crescer. É considerada a segunda maior economia do Médio Oriente e está entre as 40 cidades mais caras do mundo! A capital das festas, como também é apelidada, é uma cidade vibrante que se confunde com as suas raízes rurais e portuárias.
Dia dedicado a palminhar e explorar a cidade antiga de Jaffa, mergulhar numa das prais da cidade, perder-me pelas ruas em busca das casas brancas ao estilo Bauhaus (património mundial), conhecer os mercados tipicos da cidade (Flea e Carmel market) e provar alguma comida tipica. É comum vermos israelitas armados e jovens do exército fardados mas achei a cidade segura.
No regresso ao hostel, tempo para (des)conversar com a malta do quarto: Yakobe da Rússia de 70 anos, antigo militar e cheio de cicatrizes da guerra contra o Afeganistão exibe os seus cartões de crédito e muito dinheiro, resultante dos seus negócios com diamantes e ouro. É proprietário de uma empresa em Antuérpia; Yves da Bélgica que continua em busca da israelita que conheceu na Bélgica e Paul, nascido na Ásia e adoptado por um casal que vive nos Estados Unidos, que está desta vez em Israel para tentar executar um negócio de coletes à prova de bala.
À noite juntou-se a nós mais um russo de Krasnoyarsk e o Yakobe fez questão de nos juntar e pagar marisco e cerveja nas movimentadas ruas da cidade!
Agora é dormir que amanhã é dia de ir para Jerusalém.