domingo, 8 de novembro de 2015

Masada, Ein Gedi e Mar Morto

2h30min: o dia começou! Enquanto o quarto dormia, lancei-me ao ortostatismo, preparei as trochas para o dia e dirigi-me para a entrada do hostel onde aguardei pelo mini-autocarro. Sempre a descer, uma vez que rumámos ao ponto mais baixo do planeta (Mar Morto), o autocarro chegou a Masada pelas 4h30min.
Masada é uma fortaleza situada no topo de uma montanha no Deserto da Judeia, muito perto do Mar Morto. É património mundial desde 2001 e reza a história que depois dos romanos conquistarem Jerusalém, no ano 70 DC, quase 100 israelitas - homens, mulheres e crianças - fizeram uma última e desesperada tentativa de resistência nesta fortaleza. A resistência terá durado cerca de 2 anos (?), mas no dia em que os romanos conseguiram alcançar o topo da montanha só encontraram silêncio. Os resistentes israelitas preferiam a morte à rendição, cometendo suicídio. "Nunca nos apanharão vivos"!
Após uma árdua subida pelo caminho da serpente, que demorou cerca de 45 minutos, alcançamos o topo da montanha, onde importantes achados arqueológicos estão a ser revelados. De lá podemos contemplar o nascer do sol sobre o Mar Morto e o deserto árido da Judeia. Quase se pode ouvir o sol a rasgar a escuridão tal é o silêncio que nos envolve. O dia abre-se e conseguimos ver ao longe a Jordânia!
Próxima paragem: Eid Gedi, considerado um dos mais belos oásis em Israel, terá mais de 5000 anos de história. Referido na Bíblia pelo menos duas vezes, é composto por piscinas naturais de água fresca, cascatas e vegetação típica da África de Este.
Por fim, o Mar Morto, o local mais baixo do planeta, 428 metros abaixo do nível do mar.
A concentração de sal do Mar Morto é cerca de 34%, dez vezes maior que nos oceanos.
Como 95% da água do Rio Jordão é usada para a agricultura em Israel, Jordânia, Síria e Líbano, o Mar Morto está a secar. Todos os anos a sua costa diminui cerca de 5 metros, resultando em massivos e perigosos buracos à superfície, que agora caracterizam a sua paisagem.
Foi chegar e ir directamente para a praia. Aqui o dificil é tentar ir ao fundo. Consegue-se boiar sem qualquer dificuldade, de pernas cruzadas, com os braços debaixo do pescoço como se estivéssemos na cama e até de barriga para baixo. É uma sensação espectacular. Desde pequenos que vemos as famosas imagens deste local, e poder estar aqui a desfrutar é sem dúvida especial. Com a lama que retirámos do fundo do mar, esfregámos o nosso corpo e deixamos que hidrate a pele. Apenas muito cuidado para não molhar os olhos ou a boca. Quando nos entra água para os olhos ficámos com um ardor brutal e não conseguimos abri-los. A sensação de engolir a água é a mesma que engolir um copo de água com um 1 kg de sal lá dentro!
Cerca das 12h30min regressámos a Jerusalém, horas antes de se dar inicio ao shabbat (dia de descanso do Judaísmo). Das 17h de sexta-feira até cerca das 15h de sábado, todos os serviços públicos param e quase todos os negócios fecham. É dia de estar com a família, rezar e descansar.
À noite inscrevi-me num jantar típico do shabbat que o hostel promoveu e quem quis ainda pôde ajudar na sua preparação. Seguiram-se as conversas, a música e os copos.
Amanhã sigo para a Palestina: Ramallah, Jericó e Belém.

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